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Alçada de crédito: como definir níveis de aprovação

O que é alçada de crédito, como montar a tabela de níveis de aprovação por valor e risco, e como evitar que o comitê vire gargalo da operação comercial.

· 4 min de leitura

Alçada de crédito é o nível de autonomia que cada cargo tem para aprovar uma operação. Ela responde a uma pergunta simples — quem pode dizer sim a este pedido? — e evita as duas distorções mais comuns da operação: analista aprovando exposição que não deveria, e diretor gastando tempo com pedido de R$ 2 mil.

Por que alçada não é burocracia

Sem alçada definida, a aprovação segue hierarquia informal: quem estiver disponível, quem tiver mais tempo de casa, ou quem o vendedor conseguir convencer. Isso produz três problemas mensuráveis:

Com alçada escrita, cada decisão tem dono identificável. Isso importa quando a operação vira perda e alguém pergunta como foi aprovada.

Os critérios que definem o nível

Valor é o critério mais usado, mas sozinho é insuficiente. Uma tabela robusta combina:

Modelo de tabela de alçadas

NívelQuem decideExposiçãoCondição
1Sistema (regra automática)Até R$ 5 milSem restritivo e score dentro da faixa
2Analista de créditoAté R$ 30 milRisco baixo ou médio
3Coordenador de créditoAté R$ 100 milQualquer risco, com parecer escrito
4Gerente financeiroAté R$ 300 milExige garantia acima de R$ 150 mil
5Comitê de créditoAcima de R$ 300 milAta registrada

Os valores são exemplo. O que importa é o desenho: faixas sem sobreposição, cada nível com condição objetiva e uma instância colegiada no topo.

Alçada individual acima de determinado valor é risco operacional. A partir de certa exposição, a decisão deve ser de duas pessoas ou de comitê — inclusive para proteger quem decide.

Como calibrar as faixas

A tabela precisa refletir o volume real de pedidos. O teste é simples: rode a distribuição dos últimos três meses e veja quanto cai em cada nível.

Alçada para exceção é outra tabela

Aprovar dentro da política e aprovar contra a política são decisões diferentes. Um coordenador pode ter autonomia para liberar R$ 100 mil dentro dos critérios e nenhuma autonomia para liberar R$ 10 mil de um cliente com protesto em aberto.

Defina uma tabela separada para exceções, sempre um nível acima da alçada normal, com registro obrigatório do motivo e prazo de validade. Esse registro é o que permite, meses depois, medir se as exceções dão mais prejuízo que as aprovações normais — e elas costumam dar.

Prazo de resposta por nível

Alçada sem prazo é alçada que trava venda. Cada nível precisa de um acordo de tempo de resposta:

NívelPrazo máximo
AutomáticoImediato
Analista4 horas úteis
Coordenador1 dia útil
ComitêReunião semanal com pauta fechada

Quando o comitê só se reúne quinzenalmente, o comercial aprende a evitar o comitê — e passa a fatiar pedidos para caber em alçadas menores. Fatiamento de pedido é sintoma de alçada mal desenhada, não de má-fé do vendedor.

Registro: o que precisa ficar gravado

Toda decisão de alçada precisa deixar rastro com: quem decidiu, quando, com base em quais informações, qual regra aplicada e, se foi exceção, qual motivo. Sem isso não existe auditoria nem aprendizado — e a mesma exceção volta a ser aprovada todo trimestre.

A estrutura da política que sustenta essa tabela está detalhada em como montar uma política de crédito.

O que levar deste texto

Alçada é a tradução da política em autonomia. Monte a tabela por valor e risco, separe a alçada de exceção, defina prazo de resposta para cada nível e calibre as faixas com a distribuição real dos seus pedidos — não com a hierarquia do organograma.

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