Como definir limite de crédito para um cliente: 4 métodos
Métodos para calcular limite de crédito PJ — por faturamento, por capacidade de pagamento, por exposição da carteira e por score. Com fórmulas e quando usar cada um.
· 4 min de leitura
Limite de crédito é a exposição máxima que a empresa aceita ter com um cliente em determinado momento. Definir esse número no chute é o erro mais comum em operações de venda a prazo: limite alto demais concentra risco, limite baixo demais trava venda boa e empurra o cliente para o concorrente.
Existem quatro métodos usados no mercado. Eles não são excludentes — a prática mais sólida é calcular por mais de um e adotar o menor resultado.
Método 1: percentual do faturamento do cliente
O mais direto. Aplica-se um percentual sobre o faturamento mensal declarado ou estimado do cliente.
Limite = faturamento mensal × percentual de exposição
O percentual varia conforme o risco e a relevância do seu produto na operação dele: de 1% a 3% para fornecedor não essencial, até 10% quando você é insumo central da atividade. Um varejista com faturamento de R$ 400 mil/mês e percentual de 3% chega a um limite de R$ 12 mil.
A limitação é óbvia: faturamento declarado sem comprovação não é informação confiável. Use como teto, nunca como única referência.
Método 2: capacidade de pagamento
Parte da geração de caixa, não do tamanho da empresa. Exige demonstrativos, então serve para exposições maiores.
Limite = geração de caixa mensal × prazo médio concedido × fator de segurança
Se o cliente gera R$ 60 mil de caixa livre por mês, você vende com prazo de 30 dias e adota fator de 0,4, o limite fica em R$ 24 mil. O fator de segurança existe porque você não é o único fornecedor disputando esse caixa.
Método 3: exposição relativa da sua carteira
Este método olha para dentro, não para o cliente. Define teto por cliente como percentual do seu próprio patrimônio, faturamento ou margem.
- Nenhum cliente acima de 5% do total a receber
- Nenhum cliente cujo calote consuma mais de 20% do lucro mensal
- Grupo econômico tratado como exposição única
É a trava que impede concentração. Muitas empresas descobrem tarde que 40% do contas a receber estava em três clientes.
O limite precisa ser calculado para o grupo econômico, não para o CNPJ. Matriz, filiais e empresas do mesmo sócio somam exposição — e quebram juntas.
Método 4: limite por faixa de score
Usado em operações de alto volume, onde não cabe análise individual. O score classifica o cliente numa faixa e cada faixa tem limite pré-definido.
| Faixa de score | Classificação | Limite inicial |
|---|---|---|
| 800-1000 | Baixo risco | Até R$ 30 mil |
| 600-799 | Risco médio | Até R$ 12 mil |
| 400-599 | Risco alto | Até R$ 3 mil, com entrada |
| Abaixo de 400 | Recusa ou à vista | — |
A tabela precisa ser recalibrada com o histórico real da sua carteira — score genérico de bureau não conhece o comportamento do seu cliente no seu produto. Veja como funciona um modelo de credit scoring.
Como combinar os métodos
O procedimento que funciona na maioria das operações:
- Calcule o limite pelo faturamento (teto comercial)
- Calcule pela capacidade de pagamento, quando houver demonstrativo
- Aplique a trava de concentração da carteira
- Adote o menor dos três
- Ajuste pelo score e pelo histórico interno de pagamento
Limite inicial e limite de relacionamento
Cliente novo não recebe limite cheio. A prática saudável é conceder de 30% a 50% do limite calculado nos primeiros meses e ampliar conforme o comportamento de pagamento — que é a informação mais preditiva que existe, melhor que qualquer score externo.
Defina o gatilho de ampliação por escrito: três pedidos pagos em dia, sem atraso acima de cinco dias, liberam a faixa seguinte.
Quando reduzir um limite
Limite não é direito adquirido. Reduza quando aparecer:
- Atraso recorrente, mesmo que o cliente sempre pague
- Novo apontamento restritivo ou protesto
- Queda relevante de compras sem explicação comercial
- Troca de quadro societário
- Pedido de prazo maior fora do padrão
A redução precisa ser comunicada pelo comercial, com antecedência e motivo — o desgaste de relacionamento é menor do que o de uma recusa de pedido no balcão. O acompanhamento contínuo desses sinais é assunto de monitoramento de carteira.
Erros frequentes
- Limite fixado uma vez e nunca revisto. O risco muda; o número precisa mudar junto.
- Limite por CNPJ em grupo econômico. Soma escondida de exposição.
- Confundir limite com prazo. São decisões diferentes: quanto e em quantos dias.
- Liberar limite por pressão comercial no fim do mês. Se acontece todo mês, o problema é a política, não o pedido.
O que levar deste texto
Calcule o limite por mais de um caminho e fique com o menor. Comece pequeno com cliente novo, amplie por comportamento comprovado e defina desde o início os gatilhos que reduzem o número — de preferência antes de precisar deles.
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