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Análise de crédito PJ: passo a passo, documentos e indicadores

Como fazer análise de crédito de pessoa jurídica: documentos exigidos, consultas obrigatórias, indicadores financeiros e como montar o parecer de decisão.

· 4 min de leitura

Analisar crédito de pessoa jurídica é responder a três perguntas em ordem: a empresa existe e é quem diz ser, ela tem capacidade de pagar, e ela costuma pagar. Pular qualquer uma das etapas produz os erros clássicos — aprovar empresa de fachada, aprovar empresa real sem caixa, ou recusar empresa saudável por um apontamento antigo.

Este é o roteiro completo, na sequência em que deve ser executado.

Etapa 1: identificação e validação cadastral

Antes de qualquer análise de risco, confirme que a empresa existe e está regular:

Empresa com menos de 12 meses, capital social irrisório frente ao pedido ou CNAE incompatível com a compra não reprova automaticamente, mas exige etapa adicional. Os sinais de alerta estão detalhados em empresas de fachada: como identificar.

Etapa 2: consultas restritivas

O objetivo aqui é levantar histórico público de inadimplência:

Restrição em aberto pede explicação; restrição quitada há dois anos é ruído. O que a política precisa definir é a régua: valor mínimo relevante, prazo de validade da consulta e o que é eliminatório.

Etapa 3: capacidade financeira

Para exposições relevantes, documento contábil. Os indicadores que efetivamente mudam a decisão:

IndicadorCálculoLeitura
Liquidez correnteAtivo circulante ÷ passivo circulanteAbaixo de 1,0 acende alerta
EndividamentoPassivo total ÷ ativo totalAcima de 0,7 exige atenção
Margem líquidaLucro líquido ÷ receitaNegativa por dois anos é grave
Cobertura de jurosEBIT ÷ despesa financeiraAbaixo de 1,5 é fragilidade

Nenhum índice decide sozinho. O que importa é a tendência: três exercícios mostram direção, um exercício mostra fotografia. O detalhamento está em como analisar balanço na análise de crédito.

Etapa 4: comportamento de pagamento

A informação mais preditiva não vem de bureau: vem do seu próprio contas a receber. Para cliente já ativo, avalie atraso médio, maior atraso, frequência de renegociação e evolução do volume comprado.

Cliente que sempre paga, mas sempre com dez dias de atraso, não é bom pagador: é um financiamento que você concede sem cobrar juros e sem ter aprovado.

Etapa 5: contexto setorial

O mesmo balanço significa coisas diferentes em setores diferentes. Considere sazonalidade, dependência de poucos clientes, exposição a câmbio, ciclo de caixa típico do setor e situação geral do segmento. Distribuidora de material de construção em ano de retração do setor merece limite mais conservador, mesmo com indicadores estáveis.

Etapa 6: parecer e decisão

O parecer fecha a análise e precisa ser curto e conclusivo. Estrutura que funciona:

  1. Identificação do cliente e do pedido
  2. Resumo das consultas (o que foi encontrado)
  3. Pontos positivos
  4. Pontos de atenção
  5. Limite sugerido e condições (prazo, garantia, entrada)
  6. Decisão e responsável

Parecer sem recomendação explícita empurra a decisão para frente. O analista precisa se posicionar, mesmo quando a decisão final é da alçada superior — o registro dessa recomendação é o que permite auditar a qualidade das análises depois.

Prazo: quanto tempo a análise pode levar

Análise que demora demais custa venda. Referência de mercado para operação estruturada: decisão automática em minutos para valores baixos, até 4 horas úteis para análise de analista e até 1 dia útil quando exige documentação financeira. Se a sua operação leva uma semana, o problema geralmente é fila e falta de padrão, não complexidade.

Erros comuns na análise PJ

O que levar deste texto

Siga a ordem: existência, restrição, capacidade, comportamento, contexto. Ajuste a profundidade ao valor em jogo e feche sempre com parecer escrito e conclusivo — é ele que transforma análise em decisão auditável.

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