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Régua de cobrança: como montar do lembrete ao jurídico

Como estruturar uma régua de cobrança B2B: etapas por faixa de atraso, canais, tom de cada contato, quando negativar e quando escalar para medidas formais.

· 4 min de leitura

Régua de cobrança é a sequência definida de ações que a empresa executa desde antes do vencimento até a medida formal. Sem ela, a cobrança fica à mercê da agenda de quem cobra: cliente grande é lembrado, cliente pequeno é esquecido, e o que determina a ordem é a memória, não o risco.

O princípio: recuperação cai com o tempo

A taxa de recuperação despenca à medida que o atraso avança. Valor cobrado nos primeiros 15 dias se recupera em larga maioria; passado de 180 dias, a recuperação costuma ficar em uma fração pequena do total. Isso define a lógica da régua: intensidade maior no início, quando o retorno por contato é mais alto.

Estrutura por faixa de atraso

MomentoAçãoCanalTom
3 dias antes do vencimentoLembreteE-mail ou WhatsAppInformativo
Dia do vencimentoAviso com boletoE-mailNeutro
1 a 5 diasPrimeiro contato ativoTelefoneCordial, buscando causa
6 a 15 diasContato do gestor da contaTelefone e e-mailFirme, com prazo
16 a 30 diasNotificação formal e bloqueioE-mail com cartaFormal
31 a 60 diasProposta de acordoTelefone e reuniãoNegociação
61 a 90 diasNegativação e protestoFormalInstitucional
Acima de 90 diasCobrança terceirizada ou jurídicoFormalInstitucional

Os prazos variam com o ciclo do negócio. O que não varia é o desenho: preventivo, ativo, formal, negociado, medida.

O contato antes do vencimento

A etapa mais rentável da régua não é cobrança — é lembrete. Em B2B, boa parte do atraso vem de falha operacional do cliente: boleto perdido, nota com divergência, processo interno de pagamento com prazo próprio. O lembrete resolve isso antes de virar atraso e não desgasta relacionamento. Mais detalhes em cobrança preventiva.

O primeiro contato ativo

O objetivo dos primeiros dias é descobrir a causa, não pressionar. As causas se dividem em três grupos, com tratamentos diferentes:

Tratar os três do mesmo jeito é o erro mais comum: cobra-se com dureza quem tinha um problema de boleto e com leniência quem está quebrando.

Cobrança que não pergunta a causa perde a informação mais valiosa do processo. A resposta do cliente no dia 3 define se o caso é administrativo ou se o limite precisa cair hoje.

Bloqueio de novos pedidos

O bloqueio precisa estar na régua, com prazo objetivo e liberação por alçada definida. Duas regras práticas:

  1. Bloqueio automático a partir do prazo definido em política
  2. Liberação apenas com pagamento, acordo formalizado ou autorização de alçada superior registrada

Bloqueio negociável sem critério vira tema de discussão mensal com o comercial — e deixa de ser controle.

Quem cobra em cada etapa

Deixar toda a cobrança com o vendedor destrói a relação comercial; tirar o vendedor por completo perde o canal mais efetivo de contato em B2B. O equilíbrio é o comercial participar, mas não ser o responsável formal.

Documentação de cada contato

Registre data, canal, com quem falou, o que foi dito e o compromisso assumido. Esse histórico serve para três coisas: sustentar a negociação seguinte, embasar medida judicial e alimentar a análise de risco do cliente.

Indicadores da régua

O que levar deste texto

Monte a régua com etapas, prazos e responsáveis definidos, concentre esforço nos primeiros 30 dias e pergunte sempre a causa do atraso. Bloqueio precisa de critério objetivo e caminho de liberação — e todo contato precisa ficar registrado.

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