PDD: o que é provisão para devedores duvidosos e como calcular
O que é PDD, por que provisionar, métodos de cálculo por faixa de atraso e por perda esperada, efeito no resultado e diferença entre provisão e perda efetiva.
· 4 min de leitura
Provisão para devedores duvidosos (PDD) é o reconhecimento contábil de que parte do que está no contas a receber não vai entrar. Não é pessimismo: é a forma de o resultado da empresa refletir a realidade da carteira antes de a perda se confirmar.
Quem vende a prazo sem provisionar registra lucro que ainda não existe — e recebe o prejuízo concentrado, meses depois, em um trimestre que não tinha nada a ver com a decisão que o causou.
Por que provisionar
- Faz o resultado do período conter o custo real do crédito concedido naquele período
- Evita distorção entre meses de venda forte e meses de perda reconhecida
- Dá base para precificar: se a perda esperada é 2%, a margem precisa suportar 2%
- Cria disciplina de acompanhamento da carteira vencida
Método 1: percentual por faixa de atraso
O mais usado por empresas comerciais, por ser simples e auditável:
| Faixa de atraso | Provisão sugerida |
|---|---|
| A vencer | 0% a 0,5% |
| 1 a 30 dias | 1% a 3% |
| 31 a 60 dias | 10% |
| 61 a 90 dias | 30% |
| 91 a 180 dias | 50% a 70% |
| Acima de 180 dias | 100% |
Os percentuais não devem ser copiados: precisam vir do seu histórico. A pergunta a responder com os dados dos últimos 24 meses é direta — de tudo que chegou a 60 dias de atraso, quanto efetivamente virou perda?
Método 2: perda esperada
Mais preciso e alinhado às práticas de instituições financeiras:
Perda esperada = probabilidade de inadimplência × exposição × percentual não recuperado
Aplica-se por faixa de risco, não por faixa de atraso, o que permite provisionar também a carteira a vencer conforme o perfil de quem deve. Exige score calibrado e histórico de recuperação — insumos que vêm da análise de safra.
Provisão x perda efetiva
São coisas diferentes e devem ser acompanhadas em paralelo:
- Provisão é estimativa; reduz o resultado quando constituída
- Perda efetiva (write-off) é o reconhecimento de que aquele valor não será recebido
Quando a provisão está bem calibrada, a perda efetiva do período fica próxima da provisão constituída para aquele grupo. Provisão sistematicamente maior que a perda real distorce o resultado para baixo; menor, adia o prejuízo.
O teste de calibração é anual e simples: compare a provisão constituída há 12 meses com a perda efetivamente realizada desde então. O desvio indica o ajuste necessário nos percentuais.
Quando dar baixa definitiva
A baixa contábil segue regra fiscal e política interna. Critérios usuais para levar à perda:
- Esgotamento das tentativas de cobrança administrativa
- Custo de cobrança judicial superior ao valor a recuperar
- Cliente com falência decretada
- Prazo definido em política sem qualquer pagamento
Baixa contábil não significa abandonar a cobrança. O crédito continua existindo juridicamente e pode ser negociado depois — inclusive com acordo, conforme tratado em acordo de parcelamento.
Efeito na precificação
PDD é custo do crédito e deveria entrar na formação de preço da venda a prazo, ao lado do custo financeiro do prazo concedido. Operação que provisiona 2,5% e não repassa nada disso ao preço está financiando a inadimplência com a própria margem.
Erros comuns
- Provisionar só o que já venceu. Carteira a vencer de clientes de alto risco também tem perda esperada.
- Usar percentuais de referência sem calibrar. A régua precisa ser do seu histórico.
- Reverter provisão para melhorar o resultado do mês. Distorce o número e atrasa a decisão.
- Não separar renegociado. Título renegociado tem risco maior que título normal e merece faixa própria.
O que levar deste texto
Provisione por faixa calibrada com o seu próprio histórico, acompanhe provisão e perda efetiva lado a lado e revise os percentuais uma vez por ano. E leve o custo da PDD para dentro do preço da venda a prazo — ele não desaparece por não ser calculado.
Leia também
Análise de safra (vintage): medir a qualidade do crédito concedido
O que é análise de safra em crédito, como montar a matriz de vintage, como interpretar a curva de inadimplência por safra e o que fazer com o resultado.
4 min de leitura B2B · MonitoramentoBehavior score: como usar na revisão de limites
O que é behavior score, quais variáveis do comportamento do cliente entram no cálculo e como usar o indicador para ampliar, manter ou reduzir limites de crédito.
4 min de leitura B2B · MonitoramentoGatilhos de alerta: como detectar piora de risco do cliente
Como montar alertas de risco na carteira de crédito: eventos externos, sinais internos de comportamento, níveis de severidade e ação associada a cada gatilho.
3 min de leitura